As lesões por pressão (também conhecidas como úlceras de pressão ou escaras) continuam sendo um desafio importante na assistência à saúde, especialmente em pacientes hospitalizados, acamados ou com mobilidade reduzida.
Além de impactar a recuperação, essas lesões aumentam o tempo de internação, os custos hospitalares e, principalmente, o sofrimento do paciente.

Nesse cenário, a Escala de Braden se destaca como uma ferramenta simples e confiável para avaliar o risco e agir antes que as lesões apareçam.


O que é a Escala de Braden?

Criada por Barbara Braden e Nancy Bergstrom, a escala avalia fatores que influenciam diretamente a integridade da pele e dos tecidos.
São seis parâmetros clínicos, cada um com pontuação própria, que juntos ajudam a estimar o risco do paciente:

  1. Percepção sensorial – capacidade do paciente de sentir e reagir a estímulos de desconforto devido à pressão.
  2. Umidade – frequência com que a pele fica úmida, fator que favorece lesões.
  3. Atividade – nível de mobilidade física (acamado, cadeira, deambula).
  4. Mobilidade – capacidade de mudar e controlar a posição do corpo.
  5. Nutrição – adequação da dieta em termos de calorias e proteínas.
  6. Fricção e cisalhamento – forças que podem causar lesão da pele durante movimentações.

Como funciona a pontuação

Cada item (exceto fricção e cisalhamento) recebe pontuação de 1 a 4; fricção e cisalhamento variam de 1 a 3.
A soma final indica o grau de risco:

  • 19 a 23 pontos → Sem risco significativo
  • 15 a 18 pontos → Risco leve
  • 13 a 14 pontos → Risco moderado
  • 10 a 12 pontos → Risco alto
  • ≤ 9 pontos → Risco muito alto

Quanto menor a pontuação, maior a atenção e o cuidado preventivo necessários.


Por que a Escala de Braden é essencial

  • Prevenção de lesões por pressão — evita complicações que podem levar a infecções graves e até sepse.
  • Segurança do paciente — faz parte de protocolos institucionais de qualidade assistencial.
  • Documentação e rastreabilidade — registra avaliações e medidas adotadas, reduzindo riscos legais.
  • Trabalho em equipe — promove linguagem e condutas padronizadas entre enfermagem, fisioterapia, nutrição e equipe médica.

Medidas preventivas baseadas no risco identificado

  • Mudança de decúbito a cada 2 horas ou conforme protocolo.
  • Uso de colchões e almofadas especiais para redistribuir pressão.
  • Higiene e hidratação da pele para reduzir a fragilidade tecidual.
  • Ajuste nutricional para promover cicatrização e resistência da pele.
  • Redução de fricção e cisalhamento em movimentações, utilizando lençóis deslizantes e técnicas adequadas.

Boas práticas para aplicação da Escala de Braden

  • Realizar a avaliação na admissão do paciente e repetir periodicamente ou diante de qualquer mudança no quadro clínico.
  • Garantir que todos da equipe conheçam e saibam aplicar a escala corretamente.
  • Integrar o resultado da escala ao plano de cuidados individualizado.
  • Envolver o paciente e a família, orientando sobre prevenção e cuidados com a pele.

💬 Na Formare Saúde, acreditamos que a prevenção é a forma mais eficaz de garantir qualidade de vida e segurança para o paciente.
A Escala de Braden é mais do que um formulário — é uma ferramenta estratégica para evitar complicações que podem mudar completamente o desfecho de um tratamento.


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